EVANGELHO DO PROXIMO DOMINGO - 24 de Outubro de 2010


22 de Abril 2012 -
3º Domingo da Páscoa
- Ano B


Evangelho segundo S. Lucas
24,35-48.

Naquele tempo, os discípulos de Emaús contaram o que lhes tinha acontecido pelo caminho e como Jesus se lhes dera a conhecer, ao partir o pão. Enquanto isto diziam, Jesus apresentou-se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco!»
Dominados pelo espanto e cheios de temor, julgavam ver um espírito. Disse-lhes, então: «Porque estais perturbados e porque surgem tais dúvidas nos vossos corações?
Vede as minhas mãos e os meus pés: sou Eu mesmo. Tocai-me e olhai que um espírito não tem carne nem ossos, como verificais que Eu tenho.»
Dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. E como, na sua alegria, não queriam acreditar de assombrados que estavam, Ele perguntou-lhes: «Tendes aí alguma coisa que se coma
Deram-lhe um bocado de peixe assado; e, tomando-o, comeu diante deles.
Depois, disse-lhes: «Estas foram as palavras que vos disse, quando ainda estava convosco: que era necessário que se cumprisse tudo quanto a meu respeito está escrito em Moisés, nos Profetas e nos Salmos.»
Abriu-lhes então o entendimento para compreenderem as Escrituras e disse-lhes: «Assim está escrito que o Messias havia de sofrer e ressuscitar dentre os mortos, ao terceiro dia; que havia de ser anunciada, em seu nome, a conversão para o perdão dos pecados a todos os povos, começando por Jerusalém. Vós sois as testemunhas destas coisas.


28 ABRIL 2012 - Domingo da Páscoa - Ano B

Evangelho segundo S. João 10,11-18.
Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas. O mercenário, e o que não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas, vê vir o lobo e abandona as ovelhas e foge e o lobo arrebata-as e espanta-as, porque é mercenário e não lhe importam as ovelhas.Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem-me, assim como o Pai me conhece e Eu conheço o Pai; e ofereço a minha vida pelas ovelhas. Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil. Também estas Eu preciso de as trazer e hão-de ouvir a minha voz; e haverá um só rebanho e um só pastor.
É por isto que meu Pai me tem amor: por Eu oferecer a minha vida, para a retomar depois. Ninguém ma tira, mas sou Eu que a ofereço livremente. Tenho poder de a oferecer e poder de a retomar. Tal é o encargo que recebi de meu Pai.»

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Bento XVI aos estudantes católicos: não sejam medíocres, sejam santos

Autor; ZENIT.org


“Todos querem
a felicidade, mas muita gente nunca a encontra”

“Espero que entre os que me escutam hoje esteja algum dos futuros santos do século XXI”, disse o Papa Bento XVI nesta sexta-feira para cerca de 4 mil estudantes católicos britânicos.

“Quando os convido a ser santos, peço que não se conformem em ser de segunda linha” – afirmou –, mas que aspirem a um “horizonte maior”. “Não se conformem em ser medíocres”.

Acompanhado do bispo de Nottingham e presidente da Comissão Episcopal de Ensino, Dom Malcolm P. McMahon, o Papa falou aos estudantes no campo desportivo do St Mary’s University College. Uma conexão o ligava a todas as escolas católicas britânicas.

“Não é frequente que um Papa ou outra pessoa tenha a possibilidade de falar de uma vez só aos alunos de todas as escolas católicas da Inglaterra, País de Gales e Escócia”, começou seu discurso. “Como tenho esta oportunidade, há algo que desejo enormemente lhes dizer”. Foi então que o Papa afirmou esperar que entre os que o ouviam estivesse “algum dos futuros santos do século XXI”.

“O que Deus deseja mais de cada um de vós é que sejam santos. Ele os ama muito mais do que jamais poderiam imaginar e quer o melhor para vocês. E, sem dúvida, o melhor para vocês é que cresçam em santidade”, disse.

“Talvez algum de vocês nunca antes tenha pensado nisso” – admitiu –, convidando-lhes a se perguntar “que tipo de pessoa” gostariam de ser de verdade.

“Ter dinheiro possibilita ser generoso e fazer o bem no mundo, mas, por si mesmo, não é suficiente para fazer feliz. Estar altamente qualificado em determinada atividade ou profissão é bom, mas isso não os preencherá de satisfação, a menos que aspirem a algo maior. Chegar à fama não faz feliz”.

“A felicidade é algo que todos querem, mas uma das maiores tragédias deste mundo é que muita gente jamais a encontra, porque busca a felicidade nos lugares errados”, afirmou Bento XVI.

Por isso – recordou –, “a verdadeira felicidade encontra-se em Deus. Precisamos ter o valor de pôr nossas esperanças mais profundas somente em Deus, não no dinheiro, na carreira, no êxito mundano ou em nossas relações pessoais, mas em Deus. Só Ele pode satisfazer as necessidades mais profundas de nosso coração”.

O Papa convidou os jovens a serem “amigos de Deus”. “Quando se começa a ser amigo de Deus, tudo na vida começa a mudar. À medida que o conhecem melhor, percebem o desejo de refletir algo de sua infinita bondade em sua própria vida”.

“Quando tudo isso começa a acontecer, vocês estão no caminho da santidade”, afirmou o Papa.

Neste sentido, convidou-os a ser “não só bons estudantes, mas bons cidadãos, boas pessoas”.

“Não se contentem em ser medíocres. O mundo necessita de bons cientistas, mas uma perspectiva científica torna-se perigosa se ignora a dimensão religiosa e ética da vida, da mesma maneira que a religião se converte em limitada se rejeita a legítima contribuição da ciência em nossa compreensão do mundo”.

“Precisamos de bons historiadores, filósofos e economistas, mas se sua contribuição para a vida humana, dentro de seu âmbito particular, enfoca-se de modo demasiado reduzido, pode nos levar por mau caminho”, explicou o Papa.

O pontífice também se dirigiu aos alunos não católicos que estudam nas escolas católicas, convidando-os a “se sentir movidos à prática da virtude” e a crescer “no conhecimento e na amizade com Deus junto de vossos companheiros católicos”.

“Vocês são para eles um sinal que recorda esse horizonte maior que está fora da escola, e, de fato, é bom que o respeito e a amizade entre membros de diferentes tradições religiosas forme parte das virtudes que se aprendem em uma escola católica”, concluiu.


LONDRES, sexta-feira, 17 de Setembro de 2010

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Santo Graal - Cálice de Valência

Santo Graal - A História do Santo Cálice

Autor: http://www.catedraldevalencia.es


Tanto pelos dados
arqueológicos, como pelo testemunho da Tradição e dos documentos que se possuem, é perfeitamente plausível que, esta bela taça seja a que esteve nas mãos do Senhor quando, na véspera de sua paixão, tomou o pão em suas santas e veneráveis mãos e levantando os olhos ao céu, para Deus, seu Pai Omnipotente, deu graças, o abençoou, partiu e deu-o aos seus discípulos dizendo:
“Tomai, todos, e comei: Isto é o Meu Corpo, que será entregue por vós”. Do mesmo modo, no fim da ceia, tomou o cálice , deu graças e deu-o a seus discípulos, dizendo: “Tomai todos, e bebei: Este é o cálice do Meu Sangue, o Sangue da Nova e Eterna Aliança que será derramado por vós e por muitos para remissão dos pecados. Fazei isto em memória de Mim.” (Oração Eucarística I, Canon Romano. Cf. Mateus 26, 26-29; Marcos 14, 22-25; Lucas 22, 15-20 e I Coríntios 11, 23-25)

A primeira impressão

O Santo Cálice de Valência desperta, ao mesmo tempo, sentimentos de admiração e cepticismo. O visitante sente-se cativado pela beleza do Graal; a sua perfeita e excepcional forma, os detalhes em ouro, as pérolas e pedras preciosas. O visitante vem com a cabeça cheia de lendas, filmes e até está prevenido pelos romances e literatura pseudo-científica de temas "graálicos”.

Mas também com cepticismo:
"Será este cálice, de aparência medieval, a taça da Última Ceia? Porque está em Valência? Será apenas um dos muitos alegados Graais? Porque é que não é tão famoso como o santo Sudário de Turim ou a túnica de Tréveris?" E muitas outras perguntas ouvimos na Catedral.

A aparência não nos deve enganar

Na realidade a relíquia é a parte superior,que é uma taça de ágata, castanha escura, finamente polida. É um vaso Alexandrino que os arqueólogos consideram de origem oriental (100 – 50 a.C.).

Esta é a conclusão do Prof. Antonio Beltrán, publicada em 1960 sob o nome de “El Santo Cálize de la Catedral de Valência”. Esta conclusão nunca foi refutada e é a base de todo o conhecimento e aumento de respeito pelo Santo cálice.

As asas e o pé de ouro gravado, são posteriores (muito). A base de alabastro de arte islâmica é diferente da taça. Estas, assim como as jóias que adornam a base, são medievais. As dimensões são modestas: 17 cm de altura; 9 cm de largura. A base elíptica mede 14,5 x 9,7 cm.

Existem cálices de pedras semi-preciosas de origem bizantina que são conservados em Veneza e noutros lugares. Em Espanha existem réplicas semelhantes dos séculos XI e XII. Tratam-se de alfaias litúrgicas, envolvidas em ouro e prata com o interior revestido de metal.

Contudo, ao compor o cálice de Valência, os ourives enfatizam a taça, sem ornamentos, com grandes asas para transporta-la sem tocar no precioso e delicado vaso de pedra translúcida.


A tradição dos primeiros séculos

A Tradição diz-nos que esta taça é aquela que foi utilizada pelo Senhor na Última Ceia para a instituição da Eucaristia, foi logo levada para Roma por São Pedro e conservada pelos Papas seguintes até São Sixto II.
No séc. III, através de S. Lourenço, diácono espanhol, Sixto II foi enviado para Huesca (terra natal de S. Lourenço), para se salvar da perseguição do Imperador Valeriano. A presença do Santo Cálice em Roma é evidenciada pela frase do Cânon Romano mencionada anteriormente: "Tomou este cálice glorioso” (“praeclarum hoc calicem”); expressão venerável que não encontramos em outras anáforas antigas, e não podemos esquecer que a oração eucarística romana é uma tradução latina da oração da língua grega, pois esta foi a língua oficial da Igreja de Roma até ao Papa São Dâmaso, no século V.

A história do Santo Cálice em Espanha

Durante a invasão muçulmana (a partir do ano 713) o cálice foi escondido na região dos Pirenéus, depois em Yebra, Siresa, Santa Maria de Sasabe (hoje, San Adrián) Bailio e, finalmente, no mosteiro de San Juan de la Peña (Huesca), onde um documento do ano 1071 menciona um precioso cálice feito de pedra.

A relíquia foi entregue em 1399 ao Rei de Aragão, Martín, “o Humano”, que o manteve no palácio real da Alfajería de Zaragoza e, depois no Palácio Real de Barcelona, até a sua morte em 1410. O cálice sagrado é mencionado no inventário de seus bens (Manuscrito 136, de Martín, o Humano. Arquivos da Coroa de Aragão. Barcelona, que descreve a história do cálice sagrado). Próximo de 1424, o segundo sucessor de Don Martín, o rei Alfonso V, "o Magnânimo", entregou o relicário real ao Palácio de Valência. Devido à sua estada em Nápoles, foi entregue com as demais relíquias régias à Catedral de Valência, no ano 1437 (Volume 3532, fol.36 v. Do Arquivo da Catedral).


Inscrição árabe em caracteres cúficos. Transcreve-se: li-izahirati ou lilzáhira: "para o que reluz"


O Santo Cálice em Valência

Foi conservado e venerado durante muitos séculos entre as relíquias da Catedral e até o século XVIII foi utilizado para conter a forma consagrada na Quinta-feira Santa. Durante a Guerra da Independência, entre 1809 e 1813, o cálice foi levado para Alicante, Ibiza e Palma de Maiorca, escapando aos invasores napoleónicos. Em 1916, foi finalmente instalado na antiga Casa Capitular, mais tarde chamada de Capela do Santo Cálice. Esta exposição pública permanente da relíquia sagrada tornou possível o conhecimento da sua existência, a nível mundial. Enquanto permaneceu reservado no relicário da Catedral, houve pouca informação sobre a sua existência.
Durante a Guerra Civil (1936-1939) esteve escondido no povoado de Carlet. Papa João XXIII concedeu indulgência plenária no dia da sua festa anual; o Papa João Paulo II celebrou a Eucaristia com o Santo Cálice durante sua visita a Valência em 8 de Novembro de 1982, tal como Sua Santidade Bento XVI que celebrou a Eucaristia durante o V Encontro Mundial das Famílias, em 8 de Julho de 2006.


É autêntico?

Já dissemos que a crítica negativa afirma que já no tempo de Jesus era uma antiguidade valiosa. Há uma tradição judaica que nos dá um dado importante; De facto, ainda nos tempos de hoje cada família judaica conserva a “taça da bênção” para a Páscoa e orações sabáticas. Os Evangelhos dizem-nos que Jesus celebrou o rito pascal numa sala decorada, mobilada com divãs (Mt.14,15). Não seria estranho se a família que O acolheu não pusesse diante do Senhor a preciosa taça familiar para que pronunciasse as bênçãos rituais que se tornou na primeira consagração eucarística do vinho no Sangue do Redentor? Temos visto cenas demasiadamente “pobres” da Última Ceia, com os discípulos sentados no chão e Jesus tomando nas Suas mãos uma humilde taça de barro... mas não foi assim.

Assim, pois, os apóstolos e os primeiros cristãos puderam identificar a taça da primeira Eucaristia e conserva-la apesar da sua fragilidade. Como pôde ser conservada intacta durante o crucial primeiro milénio, senão protegida pela memória de um mistério sacratíssimo?


As lendas do Graal

O tema da busca do Graal, objecto maravilhoso e fonte de vida, é fundamental na literatura franco-germânica da idade média e a sua origem está descrita , sobretudo, nas obras de Chretien de Troyes que deixou inacabada, em 1190, a sua obra “Perceval, A história do Graal”. Aqui não se explica a origem desta jóia. Foi o poeta Wolfram Von Eschenbach quem lhe deu a forma de cálice no seu poema; “Perceval, o Galês”. Acredita-se que iniciou o seu Parsifal nos princípios do século XIII, em Wartburg, castelo mítico, berço de poetas e trovadores e que o finalizou em 1215. Ali, Wolfram compôs a sua obra prima onde estes artistas românticos possuíam três regras principais como fonte de inspiração; Deus; seu senhor e a mulher amada. Wolfram von Eschenbach foi o príncipe dos trovadores, juntamente com Walter Von der Volgelweide e Heinrich Tannhäuser.
Recentes investigadores, como Michael Hesemann (“Die Entdeckung dês Heiligen Grals. Das Ende einer Suche”, Ed. Pattloch, 2003), colocam a origem destas lendas em Espanha e sobre a base do cálice feita de ágata (pedra) de San Juan de La Peña. Não podemos esquecer que foram estas a fonte de inspiração para as grandes obras poético-musicais de Richard Wagner: "Tannhäuser", "Parsifal" e "Lohengrin".

Um tema da actualidade

Se a literatura "graálica" medieval encontrou na busca do cálice sagrado,um símbolo de purificação e de renúncia para alcançar a perfeição pessoal e a salvação, vemos nestes últimos anos, aparecer romances fingidamente históricos e toda uma literatura esotérica que faz do Graal um objecto obscuro ou uma tradição secreta de séculos que conservaria a verdadeira essência do Cristianismo ou a verdadeira história de Jesus de Nazaré. Parece que o que a crítica liberal e o materialismo anti-religioso não conseguiu, seria possível de concretizar com esta pseudo-divulgação para destruir a fé pura da Igreja em Jesus Cristo, o Senhor. Deste modo, a suspeita e a falsidade pretendem ofuscar o que foi e deve continuar a ser um ícone da cultura cristã.

Razão pela qual, o cálice de Valência com sua autenticidade arqueológica , sua tradição com elementos maravilhosos, nos remete à época de Jesus e nos relembra a instituição da Eucaristia como momentos históricos que transcendem o tempo e chegam até nós como mistério de salvação. Assim, o vivemos quando a sagrada relíquia é trasladada da sua preciosa capela, a antiga sala capitular (século XIV), até ao altar-mor na celebração da Santa Missa da Ceia do Senhor, na Quinta-feira Santa e na festa solene na última quinta-feira do mês de Outubro.
Esta é a mensagem que se deseja proclamar desde a Catedral de Valência, com o apoio de beneméritas associações como a Real Irmandade e a Confraria do Santo Cálice que, junto com o Cabido Metropolitano, mantêm o culto e a difusão da devoção do Santo Cálice que se expressa em peregrinações de paróquias e entidades religiosas e cívicas, todas as semanas, na celebração da “quinta-feira do Santo Cálice”.




http://www.catedraldevalencia.es/en/el-santo-caliz_historia.php

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Bento XVI fala sobre a sua viagem a Portugal

Tradução: Cláudio Luis Campos Mendes

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 19 de maio de 2010
(Catequese dirigida pelo Papa aos mais de 13 mil peregrinos do mundo inteiro, reunidos na Praça de São Pedro para a audiência geral)

"Queridos irmãos e irmãs:

Hoje, desejo percorrer junto convosco as diversas etapas da viagem apostólica que realizei nestes dias a Portugal, movido especialmente por um sentimento de reconhecimento a Nossa Senhora, que em Fátima transmitiu aos seus videntes e aos peregrinos um intenso amor pelo Sucessor de Pedro. Dou graças a Deus, que me deu a possibilidade de prestar homenagem a esse povo, à sua longa e gloriosa história de fé e de testemunho cristão. Portanto, como eu vos havia pedido que acompanhásseis esta minha visita pastoral com a oração, agora vos peço que vos unais a mim ao agradecer a Deus pelo seu feliz desenvolvimento e conclusão. A Ele confio os frutos que trouxe e trará à comunidade eclesial portuguesa e a toda a população. Renovo a expressão do meu vivo reconhecimento ao presidente da República, Sr. Anibal Cavaco Silva, e às demais autoridades do Estado, que me acolheram com tanta cortesia e prepararam cada elemento para que tudo pudesse acontecer da melhor maneira possível. Com intenso afecto, recordo os irmãos bispos das dioceses portuguesas, a quem tive a alegria de abraçar em sua terra, e lhes agradeço fraternalmente por tudo o que fizeram pela preparação espiritual e organizativa da minha visita, além do notável empenho dedicado à sua realização. Dirijo um pensamento particular ao patriarca de Lisboa, cardeal José da Cruz Policarpo, ao bispo de Leiria-Fátima, Dom António Augusto dos Santos Marto, do Porto, Dom Manuel Macário do Nascimento Clemente, e aos seus respectivos colaboradores, como também aos diversos organismos da conferência episcopal guiada por Dom Jorge Ortiga.

Ao longo de toda a viagem, realizada por ocasião do décimo aniversário da beatificação dos pastorinhos Jacinta e Francisco, senti-me apoiando espiritualmente por meu amado antecessor, o venerável João Paulo II, que esteve por três vezes em Fátima, agradecendo esta "mão invisível" que o livrou da morte no atentado de 13 de maio, aqui nesta Praça de São Pedro. Na tarde de minha chegada, celebrei a Santa Missa em Lisboa, no encantador cenário do Terreiro do Paço, que se eleva sobre o rio Tejo. Foi uma assembleia litúrgica de festa e de esperança, animada pela alegre participação de numerosos fiéis. Na capital, de onde partiram, no decorrer dos séculos, tantos missionários para levar o Evangelho a muitos continentes, encorajei os diversos integrantes da Igreja local a uma acção evangelizadora vigorosa nos diversos âmbitos da sociedade, para serem semeadores de esperança em um mundo marcado pela desconfiança. Particularmente, exortei os crentes a se tornarem anunciadores da morte e ressurreição de Cristo, coração do cristianismo, centro e fundamento de nossa fé e razão de nossa felicidade. Pude manifestar estes sentimentos, também, durante o encontro com os representantes do mundo da cultura, celebrado no Centro Cultural de Belém. Nesta ocasião, dei ênfase ao património de valores com os quais o cristianismo enriqueceu a cultura, a arte e a tradição do povo português. Nesta nobre terra, como em todos demais países marcados profundamente pelo cristianismo, é possível construir um futuro de compreensão fraternal e de colaboração com as demais instâncias culturais, abrindo-se reciprocamente para um diálogo sincero e respeitoso.

Dirigi-me, depois, para Fátima, pequena cidade caracterizada por uma atmosfera de misticismo autêntico, na qual se nota de maneira quase palpável a presença de Nossa Senhora. Eu me fiz peregrino com os peregrinos naquele santuário admirável, coração espiritual de Portugal e meta de uma multidão procedente dos lugares mais diversos da Terra. Após ter permanecido recolhido em oração e emocionado na Capelinha das Aparições, em Cova da Iria, apresentando ao Coração da Virgem Santa as alegrias e as esperanças, além dos problemas e os sofrimentos do mundo inteiro, na Igreja da Santíssima Trindade tive a alegria de presidir a celebração das Vésperas da Devota Virgem Maria. Dentro deste templo grande e moderno, manifestei meu vivo apreço aos sacerdotes, aos religiosos, às religiosas, aos diáconos e aos seminaristas vindos de todas as partes de Portugal, agradecendo-lhes por seu testemunho silencioso, nem sempre fácil, e por sua fidelidade ao Evangelho e à Igreja. Neste Ano Sacerdotal que chega ao fim, encorajei os sacerdotes a darem prioridade à escuta da Palavra de Deus, ao conhecimento íntimo de Cristo, à intensa celebração da Eucaristia, tomando o exemplo luminoso do Cura d'Ars. Não deixei de confiar e consagrar ao Imaculado Coração de Maria, verdadeiro modelo de discípula do Senhor, os sacerdotes do mundo inteiro.

À noite, com milhares de pessoas que compareceram à grande esplanada do santuário, participei da sugestiva procissão das velas. Foi uma estupenda manifestação de fé em Deus e de devoção à sua Mãe, expressadas com a oração do Santo Rosário. Esta oração, tão querida pelo povo cristão, encontrou em Fátima um centro propulsor para toda a Igreja e o mundo. A "Branca Senhora", na aparição de 13 de Junho, disse aos Pastorinhos: "Quero que rezem o terço diariamente". Poderíamos dizer que Fátima e o Rosário são quase um sinonimo.

Minha visita a este lugar tão especial teve seu auge no Celebração Eucarística de 13 de maio, aniversário da primeira aparição da Virgem a Francisco, Jacinta e Lúcia. Lembrando as palavras do profeta Isaías, convidei aquela imensa assembleia, recolhida aos pés da Virgem, com grande amor e devoção, a alegrar-se plenamente no Senhor, pois o seu amor misericordioso é a nascente da nossa esperança. E é precisamente de esperança que está profundamente impregnada a mensagem - exigente e ao mesmo tempo consoladora - que Nossa Senhora deixou em Fátima. É uma mensagem centrada na oração, na penitência e na conversão, que se projecta para além das ameaças, dos perigos e dos horrores da história , para convidar o homem a ter confiança na acção de Deus, a cultivar a grande esperança, a fazer a experiência da graça do Senhor para se enamorar dele, fonte de amor e de paz.

Nesta perspectiva, foi significativo o apaixonante encontro com as organizações da pastoral social, para as quais indiquei o estilo do bom samaritano para ir ao encontro das necessidades dos irmãos mais necessitados e servir a Cristo, promovendo o bem comum. Muitos jovens aprendem a importância da gratidão justamente em Fátima, que é uma escola de fé e de esperança, porque é, também, escola de caridade e de serviço aos irmãos. Neste contexto de fé e de oração, celebrou-se o importante e fraternal encontro com o episcopado português, como conclusão de minha visita a Fátima: foi um momento de intensa comunhão espiritual, no qual demos juntos graças ao Senhor pela fidelidade da Igreja que está em Portugal e confiamos à Virgem as esperanças e preocupações pastorais comuns. Também mencionei estas esperanças e perspectivas pastorais ao longo da Santa Missa, celebrada na histórica e simbólica cidade do Porto, a "Cidade da Virgem", última etapa de minha peregrinação a esta terra lusitana. À grande multidão de fiéis reunida na Avenida dos Aliados recordei o compromisso de testemunhar o Evangelho em todo lugar, oferecendo ao mundo o Cristo ressuscitado, para que cada situação de dificuldade, de sofrimento, de medo se transforme, por meio do Espírito Santo, em ocasião de crescimento e de vida.

Queridos irmãos e irmãs, a peregrinação a Portugal foi para mim uma experiência comovente e repleta de muitos dons espirituais. Enquanto permanecem fixas em minha mente e em meu coração as imagens desta viagem inesquecível, o acolhimento caloroso e espontâneo, o entusiasmo das pessoas, louvo o Senhor porque Maria, aparecendo aos três pastorinhos, abriu no mundo um espaço privilegiado para encontrar a misericórdia divina que cura e salva. Em Fátima, a Virgem Santa convida todos a considerarem a terra como lugar da nossa peregrinação rumo à pátria definitiva, que é o céu. Na realidade, todos somos peregrinos, temos necessidade da Mãe que nos guia. "Contigo caminhamos na esperança. Sabedoria e Missão" era o lema da minha viagem apostólica a Portugal e, em Fátima, a bem-aventurada Virgem Maria convida-nos a caminhar com grande esperança, deixando-nos guiar pela "sapiência do alto", que se manifestou em Jesus, a sabedoria do amor, para levar ao mundo a luz e a alegria de Cristo. Portanto, eu vos convido a vos unirdes à minha oração, pedindo ao Senhor que abençoe os esforços daqueles que, nessa amada nação, se dedicam ao serviço do Evangelho e à busca do verdadeiro bem do homem, de cada homem. Oremos também para que, por intercessão de Maria Santíssima, o Espírito Santo faça frutificar esta viagem apostólica e encoraje em todo o mundo a missão da Igreja, instituída por Cristo para anunciar a todos os povos o Evangelho da verdade, da paz e do amor.

[No final da audiência, o Papa cumprimentou os peregrinos em vários idiomas. Em português, disse:]

Queridos irmãos e irmãs:

Gostaria de compartilhar convosco um pouco da minha recente viagem apostólica a Portugal, por ocasião do 10º aniversário da beatificação dos pastorinhos Jacinta e Francisco. A visita teve início em Lisboa; durante a Santa Missa, falei da necessidade dos cristãos serem semeadores da esperança. Seguindo para Fátima, peregrino com os peregrinos, lá apresentei ao Imaculado Coração Maria as alegrias e esperanças, os problemas e sofrimentos do mundo inteiro. No do dia 13, aniversário da primeira Aparição de Nossa Senhora, durante a Celebração da Eucaristia lembrei na homilia que as aparições nos falam de uma mensagem exigente e consoladora, centrada na oração, na penitência e na conversão, que nos leva a superar as dificuldades da história, convidando a humanidade a cultivar a grande esperança. E a viagem concluiu-se na histórica cidade do Porto, com a Celebração Eucarística, insistindo no compromisso para a missão. E de lá me despedi de Portugal, manifestando o desejo de que a minha visita se tornasse incentivo para um renovado impulso espiritual e apostólico.

Amados peregrinos vindos do Brasil e demais países de língua portuguesa, que a intercessão de Nossa Senhora de Fátima, que em vossos países é venerada com tanta confiança e firme amor, possa ajudar-vos a viver com mais empenho a vossa vocação de testemunhas do Evangelho da verdade, da paz e do amor. Sirva-vos de conforto a minha bênção.

[Tradução: Cláudio Luis Campos Mendes)
(ZENIT.org)